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Abaçai

Em Torno do Barro


O espaço vivencial Em Torno do Barro foi concebido para reunir arte-ceramistas tradicionais para o compartilhar de saberes, impressões e conhecimentos das artes do fogo e do barro. Vivenciar e observar as diversas técnicas de modelagem e outras possibilidades de lidar com o suporte cerâmico, a argila, ou, barro como é chamado pelo povo, dentro do universo da cultura tradicional.

O ceramista estará diante de outros processos de criação. Estabelecer uma relação dialogal uns com os outros, e o diferente, é o caminho para continuar a construir esse caminho antigo; mestres e aprendizes na arte de tecer o barro.

E, ao gerar o Em Torno do Barro somos levados mais além. Propicia que pesquisadores possam presenciar e documentar o processo de transmissão de um saber cerâmico na elaboração de vasilhas de barro; panelas, potes, vasos, moringas e outros artefatos, dentro de um contexto tradicional. São ceramistas provenientes de vários pontos do Estado, notadamente, do Vale do Rio Ribeira, ao sul do Estado de São Paulo, de três regiões fisiográficas distintas, entrecortadas pelo Rio Ribeira; quais sejam, municípios de Iguape (Baixo Ribeira), municípios de Barra do Chapéu e Itaoca (Médio Ribeira), e em Apiaí, Bom Sucesso de Itararé e Ribeirão Grande, (Alto Ribeira) - os quais ainda mantém vivas, portentosas e variadas expressões de cultura tradicional.

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Foto: Sandra Menegaz.

Em muitos lugares do Estado, registramos a presença cerameira ancestral significativa. Do Vale do Paraíba, recebemos as tão conhecidas e emblemáticas Figureiras de Taubaté, com 150 anos de história, e, também, a arte sacra de Pindamonhangaba.

Lá do Centro-Oeste, vem o município de Cândido Mota com seus potes, panelas, vasos, moringas; do extremo Noroeste, região de São José do Rio Preto, vem Santa Fé do Sul com seus fogõezinhos de barro, as miniaturas do mobiliário caipira, os bichinhos do quintal e, também, panelas, vasilhames e arte figurativa. Da região Sudeste, vem o município de Salto de Pirapora com seus potes e panelas pretas; e, Votorantim, da região de Sorocaba, traz sua arte santeira, assim, como da região Oeste, vem, também, Pirapora do Bom Jesus com forte expressão de arte sacra.

Hoje, antigos poteiros, mestres e mestras; seja pelo avançar da idade ou condições de saúde, já abandonaram suas atividades do fazer cerâmico ou estão no limiar de aposentarem seus cuités (instrumentos feito de casca de côco para alisar as paredes das peças); não sem antes procurarem transmitir esse saber a outrem. Assim que, objetivamos, também, com o Em Torno do Barro estimular que interessados, pesquisadores e historiadores possam observar, captar e constatar quais movimentos atuam na transmissão desse conhecimento; como esse modus operandi está sendo assimilado e recebido pelo outro e, que ensejou uma jornada de vida inteira de homens e mulheres na criação de artefatos de barro. Pontuar quais aspectos estão sendo apropriados pelas novas gerações de ceramistas, herdeiros que são para dar continuidade a este saber permeado pelo universo tradicional.

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Foto: Sandra Menegaz.

Temos nos empenhado com vigor para chamar a atenção do poder público, com tratativas pontuais e urgentes, para a salvaguarda dessas expressões da cultura tradicional das gentes paulistas, que integram do patrimônio imaterial do Estado de São Paulo.