Ação Cultural

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Ação Cultural /Projetos / A Missão de Molungo

Projetos / A Missão de Molungo

A Missa de Malungos foi criada tomando-se como parâmetro as missas Luba e Criolla (bem como o antológico African Sanctus de David Fanshawe), buscando-se contemplar a complexa diversidade da cultura brasileira em suas três vertentes principais.

O texto do ritual latino (da missa cristã) foi traduzido e adaptado com foco mais ecumênico. As bases melódicas e ritmos trazem elementos rítmico/musicais das três nações Afro-Religiosas correntes hoje no Brasil (Jêje, Nagô e Angola), da religiosidade Popular européia (Folias de Reis), das formas sincréticas originadas no Brasil (Congos, Moçambiques, Ticumbis, Catopês, Rituais de Caboclos,...), e das atividades rotineiras do dia-a-dia do brasileiro (cantos de trabalho).

As melodias populares serviram de fonte de inspiração. Em muitas de suas passagens, foram citados trechos. Fazem-se presentes, portanto, com toda força, o tempo todo, ajudando a plasmar um quadro variado da cultura Musical/Popular Brasileira.

Concepção cênica

Malungos foi concebida, originalmente, para coro a 4 vozes, 8 solistas, conjunto de cordas (violas, rabecas, cavaquinhos, bandolins e violões), grupo de percussão com instrumentação variada (ilus, caixas de moçambiques, alfaias de maracatus, pandeirões, Xerês, porrões, cabaças, ...) e conjunto de 12 bailarinos populares.

Visualmente, é uma missa funfun, em que predomina o branco ritual de Oxalá nos trajes e nos ojás que envolvem os tambores. Nos figurinos, serão fundidos os elementos culturais mais diversos e de contextos habitualmente excludentes. Os coralistas vestirão calças bufantes, as bombachas islâmicas presentes em nossos terreiros de candomblés e em vários folguedos populares, roquetes (trajes dos rituais para-litúrgicos da Igreja Católica) e tiaras dos índios Kraô; os músicos trajarão calças bufantes, abadás, ojás e bobós, e o grupo de dança, trajes inspirados nos folguedos populares brasileiros.

A Missa de Malungos fez sua estréia mundial no XVI Congresso Mundial de Jornalistas Católicos, em Campos do Jordão, em setembro de 1992. Nessa ocasião, a Missa foi ouvida oficialmente, pela primeira vez, por assembléia de aproximadamente 1.000 pessoas, de 89 países, tendo recebido publicamente a aprovação da Assembléia:

"É para mim uma grande alegria poder expressar os agradecimentos e felicitações dos membros do XVI Congresso Mundial de Jornalistas Católicos ao Maestro e membros do coral que nos cantaram esta maravilhosa Missa de Malungos, em sua primeira apresentação. Eles nos fizeram rezar imersos em beleza, em uma admirável beleza. Também nosso obrigado e felicitações ao autor desta missa, comunhão de muitas culturas nos instrumentos e nas vozes, no que nos une de mais fundamental, de mais profundamente humano. Vimos nesta noite uma expressão do que poderá ser, pouco a pouco, o encontro e a união de culturas. Uma admirável expressão do que buscamos nós, jornalistas católicos; - a comunhão de todas as culturas para realizar a solidariedade entre os homens no que há de mais belo, no que há de maior, que promove a paz e o amor entre os homens e nos eleva ao próprio Deus."

(Palavras do Monsenhor Messinger, Bispo jubilado de Lima, Presidente Honorário das entidades de Imprensa Católica na América Latina e co-celebrante da Missa de encerramento do XVI Congresso Mundial de Jornalista Católicos, escolhido para falar da significação de Malungos para o evento).

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